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Mitos e Verdades Sobre Varizes: O que a ciência realmente diz?

  • 11 de mar.
  • 6 min de leitura

Se você já ouviu que cruzar as pernas causa varizes, que elas são apenas um problema estético ou que quem é jovem não precisa se preocupar — saiba que essas crenças são muito mais comuns do que deveriam ser. E, na maioria das vezes, estão erradas.


As varizes afetam uma parcela significativa da população adulta brasileira e ainda são cercadas de desinformação. Muita gente demora anos para buscar avaliação especializada justamente porque acredita em mitos que minimizam o problema — ou porque tem medo de tratamentos que, na realidade, evoluíram muito.


Neste post, vamos desmontar os principais mitos sobre varizes com base no que a ciência diz, de forma clara e sem complicação.


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Mitos e Verdade sobre Varizes de Membros inferiores.

🚫 Mito 1: "Cruzar as pernas causa varizes"

MITO.


Essa é provavelmente a crença mais difundida sobre o tema — e uma das mais equivocadas. Cruzar as pernas por períodos curtos não é capaz de causar varizes. A doença venosa tem origem em fatores muito mais profundos: predisposição genética, enfraquecimento das paredes venosas e disfunção das válvulas internas das veias.


O que pode sim prejudicar a circulação é ficar muito tempo parado na mesma posição — seja sentado ou em pé — sem movimentar as pernas. Nesse caso, não é o cruzamento em si o problema, mas a imobilidade prolongada.


Verdade associada: o hábito de movimentar as pernas periodicamente, mesmo sentado, contribui para o retorno venoso e alivia a pressão nas veias.


🚫 Mito 2: "Varizes são apenas um problema estético"

MITO — e um dos mais perigosos.


Muitas pessoas tratam as varizes como uma questão puramente de aparência e adiam (às vezes por anos) a avaliação médica. Mas as varizes são a expressão visível de uma doença chamada insuficiência venosa crônica — uma condição progressiva que, sem acompanhamento, pode evoluir para:


  • Dor e sensação de peso nas pernas

  • Inchaço crônico (edema)

  • Alterações na pele, como manchas escuras e endurecimento

  • Úlceras venosas — feridas abertas de difícil cicatrização

  • Tromboflebite — inflamação e coágulo em veias superficiais


Ignorar as varizes por achá-las "só estéticas" pode significar tratar, no futuro, uma condição muito mais complexa.


Verdade: varizes são um sinal de doença venosa e merecem avaliação — independentemente de causarem dor ou incômodo estético.


🚫 Mito 3: "Só pessoas mais velhas têm varizes"

MITO.


As varizes podem surgir em qualquer fase da vida adulta. É verdade que a prevalência aumenta com a idade — já que as paredes venosas perdem elasticidade ao longo dos anos —, mas jovens também desenvolvem a condição, especialmente quando há: histórico familiar (fator genético forte), gravidez, trabalho prolongado em pé (professores, cabeleireiros, vendedores, profissionais de saúde) e uso prolongado de anticoncepcionais hormonais, obesidade ou sedentarismo.


Não é raro atender pacientes na faixa dos 20 e 30 anos com varizes já clinicamente relevantes.


Verdade: o monitoramento da saúde venosa deve começar cedo, especialmente em quem tem fatores de risco.


varizes mitos e verdades
Mitos e Verdades sobre Varizes

🚫 Mito 4: "Varizes só aparecem em quem fica muito tempo em pé"

PARCIALMENTE MITO.


Ficar em pé por longos períodos é um fator de risco real — a gravidade dificulta o retorno do sangue e aumenta a pressão venosa nas pernas. Mas ficar muito tempo sentado é igualmente prejudicial. A musculatura da panturrilha, quando inativa, não realiza sua função de "bomba", que impulsiona o sangue de volta ao coração.


Ou seja: tanto o trabalho estático em pé quanto o sedentarismo no escritório contribuem para o desenvolvimento e a progressão das varizes.


Verdade: qualquer posição mantida por tempo prolongado, sem movimento, prejudica a circulação venosa. A solução é o movimento regular.


🚫 Mito 5: "Se não dói, não precisa tratar"

MITO.


A ausência de dor não significa ausência de doença. Muitas pessoas convivem com varizes volumosas sem sentir dor intensa — mas isso não quer dizer que a condição não está progredindo. A insuficiência venosa é uma doença crônica e evolutiva: sem tratamento e acompanhamento, tende a piorar com o tempo.


Além disso, a dor não é o único sintoma relevante. Inchaço, alterações na pele, sensação de peso e cansaço nas pernas são sinais igualmente importantes que merecem atenção.


Verdade: a avaliação com cirurgião vascular é recomendada mesmo na ausência de dor, especialmente quando há varizes visíveis ou fatores de risco.


🚫 Mito 6: "Tratamento de varizes é sempre uma cirurgia grande e dolorosa"

MITO — e esse afasta muita gente do consultório sem necessidade.


A cirurgia convencional foi durante muito tempo a principal opção para tratar varizes. Hoje, no entanto, existem técnicas minimamente invasivas que, em muitos casos, dispensam internação e têm recuperação muito mais rápida. Entre as opções disponíveis atualmente estão:


  • Escleroterapia — aplicação de solução esclerosante diretamente na veia, realizada em consultório


  • Laser endovenoso e radiofrequência — tratamentos que obliteram a veia por dentro, com agulha fina, sem cortes significativos



A indicação da técnica mais adequada depende de cada caso e é definida pelo cirurgião vascular após avaliação clínica e exame de imagem.


Verdade: o tratamento evoluiu muito. Hoje existem opções minimamente invasivas, confortáveis e eficazes para diferentes graus de varizes.


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Opções de tratamento de Varizes de Membros inferiores

🚫 Mito 8: "Após o tratamento, as varizes nunca mais voltam"

MITO — e entender isso é fundamental para manter expectativas realistas.


As veias tratadas não retornam. No entanto, a insuficiência venosa crônica é uma condição de base que persiste no organismo. Isso significa que novas varizes podem surgir ao longo do tempo, especialmente se os fatores de risco não forem controlados.


Por isso, o acompanhamento periódico com o cirurgião vascular após o tratamento é tão importante quanto o próprio procedimento. Mudanças de estilo de vida — atividade física, controle do peso, uso de meias quando indicado — são parte essencial do cuidado a longo prazo.


Verdade: o tratamento é eficaz, mas precisa ser acompanhado de hábitos saudáveis e monitoramento regular para manter os resultados.


🚫 Mito 9: "Homens não têm varizes"

MITO.


As varizes são mais prevalentes em mulheres — fatores hormonais, gravidez e uso de anticoncepcionais influenciam diretamente a parede venosa. Mas os homens também desenvolvem a condição, e com uma agravante: costumam demorar ainda mais para buscar avaliação, por acharem que o problema "não é coisa de homem" ou por não perceberem os sinais com a mesma atenção.


No homem, as varizes frequentemente se manifestam com mais dor e menos aspecto estético evidente, o que pode dificultar o reconhecimento precoce.


Verdade: homens com histórico familiar, que ficam muito tempo em pé ou que têm outros fatores de risco também devem se consultar com um cirurgião vascular.


🚫 Mito 10: "Exercício físico piora as varizes"

MITO — e um que prejudica diretamente a saúde do paciente.


O sedentarismo é um fator de risco para varizes; o exercício físico, de forma geral, é um aliado da saúde venosa. Atividades que ativam a musculatura da panturrilha — como caminhada, natação, ciclismo e hidroginástica — estimulam o retorno venoso e reduzem a pressão nas veias.


Alguns esportes de alto impacto ou que exigem esforço abdominal intenso podem não ser recomendados em casos específicos. Mas isso é diferente de dizer que exercício piora varizes — e a orientação individualizada do cirurgião vascular é o caminho correto para saber o que é adequado para cada caso.


Verdade: a atividade física regular é benéfica para a saúde venosa na grande maioria dos casos. O especialista orienta sobre as melhores modalidades para cada situação.


Conclusão

A desinformação sobre varizes faz com que muita gente adie o cuidado com a saúde venosa por anos — às vezes até o surgimento de complicações mais sérias. Conhecer a verdade sobre o que causa as varizes, como elas evoluem e quais são as opções de tratamento é o primeiro passo para tomar uma decisão consciente.


Se você se identificou com algum dos mitos deste post, ou se reconheceu sintomas que nunca levou a sério, que tal dar o próximo passo? A avaliação com um cirurgião vascular é a forma mais segura de entender a sua situação e receber orientação individualizada.




Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. Cruzar as pernas todos os dias pode piorar varizes existentes?

Cruzar as pernas por curtos períodos não causa nem agrava varizes de forma clinicamente significativa. O que deve ser evitado é a imobilidade prolongada em qualquer posição. Movimentar as pernas regularmente ao longo do dia é uma medida mais eficaz do que evitar cruzá-las.


  1. Usar salto alto piora as varizes?

O salto alto reduz a amplitude de movimento do tornozelo e diminui a eficiência da bomba muscular da panturrilha, o que pode agravar sintomas em quem já tem insuficiência venosa. O uso frequente e prolongado não é ideal para quem tem varizes ou fatores de risco — mas não é uma causa isolada da doença.


  1. Alimentação interfere nas varizes?

Não existe uma dieta que cure varizes, mas alguns hábitos alimentares influenciam os fatores de risco. O controle do peso corporal, a boa hidratação e a ingestão adequada de fibras (para evitar constipação e esforço abdominal) contribuem para a saúde venosa de forma geral.


  1. Posso fazer tratamento de varizes e continuar praticando exercícios?

Depende do tipo de tratamento realizado e do período de recuperação. De modo geral, as técnicas minimamente invasivas permitem retorno precoce às atividades leves. O cirurgião vascular orienta sobre o tempo de repouso e a retomada das atividades físicas em cada caso.


  1. Como saber se preciso consultar um cirurgião vascular?

Se você tem varizes visíveis, sente peso, cansaço ou inchaço nas pernas — especialmente ao final do dia —, tem histórico familiar de doenças venosas ou apresenta manchas escuras na pele das pernas, uma avaliação com cirurgião vascular é recomendada. Não é preciso esperar os sintomas se agravarem.

 
 
 

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