Úlcera Venosa na Perna: Causas, Sintomas, Tratamento e Cuidados
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Uma ferida na perna que demora para cicatrizar, com bordas irregulares, pele escurecida ao redor e sensação de queimação — esse quadro é característico da úlcera venosa, uma das complicações mais sérias da insuficiência venosa crônica. Apesar de ser relativamente comum, ela ainda é subestimada por muitos pacientes, que nem sempre reconhecem os sinais de alerta precocemente.
Neste artigo, você vai entender o que é a úlcera venosa na perna, quais são suas causas e sintomas, como é feito o diagnóstico e quais opções de tratamento estão disponíveis atualmente. O objetivo é ajudar você a identificar sinais de alerta e a buscar avaliação especializada no momento certo.

O Que É a Úlcera Venosa?
A úlcera venosa — também chamada de úlcera varicosa — é uma ferida aberta que se forma na pele das pernas, geralmente na região próxima ao tornozelo, como consequência de um problema crônico na circulação venosa.
Ela representa o estágio mais avançado da insuficiência venosa crônica (IVC): quando as veias das pernas perdem a capacidade de devolver o sangue ao coração de forma eficiente, a pressão interna aumenta progressivamente, os tecidos passam a receber menos oxigênio e nutrientes, e a pele começa a se deteriorar até formar a lesão.
Diferente de um simples machucado, a úlcera venosa tem cicatrização lenta, pode durar semanas, meses ou anos sem tratamento adequado, e tende a recidivar se a causa de base não for tratada
Principais Sintomas
A úlcera venosa na perna costuma ter características bem definidas que ajudam no reconhecimento. Os sinais mais frequentes incluem:
Ferida aberta, geralmente na região do tornozelo ou parte inferior da perna, com bordas irregulares
Pele ao redor da úlcera com coloração escurecida, avermelhada ou arroxeada
Presença de exsudato (líquido ou secreção) na ferida
Sensação de queimação, formigamento ou dor local
Inchaço na perna, especialmente no final do dia
Pele ressecada, endurecida ou com aspecto de "casca" ao redor da lesão
Em casos de infecção: odor característico, aumento da dor, vermelhidão intensa e febre
É importante destacar que a úlcera venosa frequentemente é precedida por sinais que surgem antes da ferida se abrir: manchas escuras na pele, coceira persistente e endurecimento da região do tornozelo. Reconhecer esses sinais precocemente pode evitar a progressão.
Causas e Fatores de Risco
A causa fundamental da úlcera venosa é o acúmulo de pressão nas veias das pernas, decorrente do mau funcionamento das válvulas venosas. Essas válvulas, quando íntegras, impedem que o sangue reflua para baixo. Quando falham, o sangue se acumula nos membros inferiores, comprimindo os tecidos ao redor.
As condições que mais frequentemente contribuem para esse processo incluem:
Varizes — principal fator de risco direto para a úlcera venosa
Trombose venosa profunda prévia — pode danificar permanentemente as válvulas venosas
Obesidade ou sobrepeso — aumenta a pressão sobre o sistema venoso
Sedentarismo — a musculatura da panturrilha, quando inativa, não auxilia o retorno venoso
Trabalho prolongado em pé ou sentado — prejudica a circulação nos membros inferiores
Idade avançada — as paredes venosas perdem elasticidade com o tempo
Gravidez — a pressão uterina sobre as veias pélvicas compromete o retorno venoso
Tabagismo — compromete a circulação periférica e a cicatrização
Diabetes e hipertensão arterial — aumentam o risco de lesões vasculares
Histórico familiar de doenças venosas
Como É Feito o Diagnóstico
O diagnóstico da úlcera venosa é predominantemente clínico. O cirurgião vascular avalia as características da ferida, a distribuição das lesões cutâneas ao redor, os sintomas relatados e o histórico do paciente.
O exame complementar fundamental é o Eco-Doppler venoso dos membros inferiores, que permite: avaliar o funcionamento das válvulas venosas, identificar refluxo venoso e obstruções e mapear as veias afetadas para planejar o tratamento
Em alguns casos, pode ser necessária biópsia da lesão para descartar outras causas de feridas crônicas — como úlceras arteriais, neuropáticas ou neoplásicas — que exigem abordagens diferentes. A avaliação individualizada pelo especialista é indispensável para o diagnóstico correto.

Opções de Tratamento
O tratamento da úlcera venosa envolve duas frentes complementares: o cuidado local com a ferida e o tratamento da causa de base (a insuficiência venosa). Sem tratar a causa, a tendência é que a úlcera recidive mesmo após cicatrizar.
Terapia de Compressão
A compressão é a base do tratamento conservador. O uso de meias de compressão elástica ou bandagens compressivas inelásticas reduz a pressão venosa, diminui o edema e estimula a cicatrização. É indicada na grande maioria dos casos e deve ser mantida de forma contínua conforme orientação médica.
Curativos Especializados
O cuidado local com a úlcera envolve limpeza adequada da ferida e uso de coberturas especializadas, que mantêm o ambiente úmido, absorvem o excesso de secreção e favorecem a cicatrização. O tipo de curativo mais adequado é definido pelo profissional com base nas características da lesão.
Tratamento das Veias Afetadas
Quando há varizes ou refluxo venoso significativo alimentando a úlcera, o cirurgião vascular pode indicar procedimentos para tratar as veias responsáveis, como:
Escleroterapia — aplicação de substância esclerosante nas veias afetadas
Tratamento endovascular a laser ou radiofrequência — técnicas minimamente invasivas para obliteração das veias doentes
Cirurgia vascular
Antibioticoterapia: quando há sinais de infecção na úlcera — como pus, odor forte, febre ou aumento da dor — o médico pode indicar antibióticos sistêmicos para controlar o processo infeccioso antes de avançar com outras etapas do tratamento.
Cuidados, Prevenção e Estilo de Vida
Além do tratamento médico, alguns cuidados do dia a dia são fundamentais para favorecer a cicatrização e reduzir o risco de novas úlceras:
Use as meias de compressão conforme a orientação do seu médico — inclusive nos dias mais quentes
Eleve as pernas ao repouso, posicionando-as acima do nível do coração sempre que possível
Pratique atividade física regular, especialmente caminhada, que ativa a "bomba" muscular da panturrilha
Mantenha a pele hidratada na região das pernas para evitar ressecamento e novas lesões
Evite traumas na região — mesmo pequenos machucados podem evoluir para úlceras em pele com insuficiência venosa
Pare de fumar — o tabagismo prejudica diretamente a cicatrização e a circulação periférica
Controle o peso corporal — o excesso de peso agrava a pressão sobre as veias
Siga o acompanhamento médico regular — a úlcera venosa exige monitoramento periódico mesmo após a cicatrização
Quando Procurar um Cirurgião Vascular?
Alguns sinais devem motivar a busca por avaliação especializada sem demora: ferida na perna que não cicatriza em duas semanas ou mais; manchas escuras, roxas ou marrons persistentes na região do tornozelo; pele endurecida, ressecada ou com coceira intensa nas pernas; inchaço recorrente nas pernas, especialmente ao final do dia; histórico de varizes, trombose ou úlcera venosa anterior; ferida com sinais de infecção: vermelhidão intensa, pus, odor ou febre. Quanto mais cedo a avaliação for realizada, maiores as chances de cicatrização completa e menor o risco de complicações.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A úlcera venosa tem cura?
A úlcera venosa pode cicatrizar com tratamento adequado. No entanto, se a causa de base — a insuficiência venosa — não for tratada, há risco elevado de recidiva. O acompanhamento contínuo com cirurgião vascular é essencial para manter os resultados a longo prazo.
Úlcera venosa é a mesma coisa que úlcera varicosa?
Sim. Os dois termos se referem à mesma condição. O nome "úlcera varicosa" remete à associação frequente com as varizes, enquanto "úlcera venosa" é o termo mais abrangente usado na literatura médica atual.
É possível fazer curativo em casa?
O curativo de uma úlcera venosa deve ser orientado pelo médico ou por um profissional de saúde habilitado. O tipo de cobertura, a frequência de troca e a limpeza adequada variam conforme as características da ferida. Curativos incorretos podem retardar a cicatrização ou favorecer infecções.
Quanto tempo leva para uma úlcera venosa cicatrizar?
O tempo de cicatrização varia amplamente dependendo do tamanho da lesão, do tempo de evolução, das condições de saúde do paciente e da adesão ao tratamento. Algumas úlceras cicatrizam em semanas; outras, em meses. Por isso, o acompanhamento regular com o especialista é indispensável.
Quem tem diabetes pode desenvolver úlcera venosa?
Sim. Pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver úlceras nas pernas, tanto de origem venosa quanto arterial ou neuropática. O cirurgião vascular avalia o tipo da lesão e indica o tratamento mais adequado para cada caso, considerando todas as condições de saúde do paciente.




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