top of page

Úlcera Venosa na Perna: Causas, Sintomas, Tratamento e Cuidados

  • 11 de mar.
  • 6 min de leitura

Uma ferida na perna que demora para cicatrizar, com bordas irregulares, pele escurecida ao redor e sensação de queimação — esse quadro Ă© caracterĂ­stico da Ășlcera venosa, uma das complicaçÔes mais sĂ©rias da insuficiĂȘncia venosa crĂŽnica. Apesar de ser relativamente comum, ela ainda Ă© subestimada por muitos pacientes, que nem sempre reconhecem os sinais de alerta precocemente.

Neste artigo, vocĂȘ vai entender o que Ă© a Ășlcera venosa na perna, quais sĂŁo suas causas e sintomas, como Ă© feito o diagnĂłstico e quais opçÔes de tratamento estĂŁo disponĂ­veis atualmente. O objetivo Ă© ajudar vocĂȘ a identificar sinais de alerta e a buscar avaliação especializada no momento certo.


ulcera venosa
Úlcera Venosa na Perna: Cuidados e tratamentos

O Que É a Úlcera Venosa?

A Ășlcera venosa — tambĂ©m chamada de Ășlcera varicosa — Ă© uma ferida aberta que se forma na pele das pernas, geralmente na regiĂŁo prĂłxima ao tornozelo, como consequĂȘncia de um problema crĂŽnico na circulação venosa.

Ela representa o estĂĄgio mais avançado da insuficiĂȘncia venosa crĂŽnica (IVC): quando as veias das pernas perdem a capacidade de devolver o sangue ao coração de forma eficiente, a pressĂŁo interna aumenta progressivamente, os tecidos passam a receber menos oxigĂȘnio e nutrientes, e a pele começa a se deteriorar atĂ© formar a lesĂŁo.

Diferente de um simples machucado, a Ășlcera venosa tem cicatrização lenta, pode durar semanas, meses ou anos sem tratamento adequado, e tende a recidivar se a causa de base nĂŁo for tratada


Principais Sintomas

A Ășlcera venosa na perna costuma ter caracterĂ­sticas bem definidas que ajudam no reconhecimento. Os sinais mais frequentes incluem:

  • Ferida aberta, geralmente na regiĂŁo do tornozelo ou parte inferior da perna, com bordas irregulares

  • Pele ao redor da Ășlcera com coloração escurecida, avermelhada ou arroxeada

  • Presença de exsudato (lĂ­quido ou secreção) na ferida

  • Sensação de queimação, formigamento ou dor local

  • Inchaço na perna, especialmente no final do dia

  • Pele ressecada, endurecida ou com aspecto de "casca" ao redor da lesĂŁo

  • Em casos de infecção: odor caracterĂ­stico, aumento da dor, vermelhidĂŁo intensa e febre

É importante destacar que a Ășlcera venosa frequentemente Ă© precedida por sinais que surgem antes da ferida se abrir: manchas escuras na pele, coceira persistente e endurecimento da regiĂŁo do tornozelo. Reconhecer esses sinais precocemente pode evitar a progressĂŁo.

​

Causas e Fatores de Risco

A causa fundamental da Ășlcera venosa Ă© o acĂșmulo de pressĂŁo nas veias das pernas, decorrente do mau funcionamento das vĂĄlvulas venosas. Essas vĂĄlvulas, quando Ă­ntegras, impedem que o sangue reflua para baixo. Quando falham, o sangue se acumula nos membros inferiores, comprimindo os tecidos ao redor.

As condiçÔes que mais frequentemente contribuem para esse processo incluem:

  • Varizes — principal fator de risco direto para a Ășlcera venosa

  • Trombose venosa profunda prĂ©via — pode danificar permanentemente as vĂĄlvulas venosas

  • Obesidade ou sobrepeso — aumenta a pressĂŁo sobre o sistema venoso

  • Sedentarismo — a musculatura da panturrilha, quando inativa, nĂŁo auxilia o retorno venoso

  • Trabalho prolongado em pĂ© ou sentado — prejudica a circulação nos membros inferiores

  • Idade avançada — as paredes venosas perdem elasticidade com o tempo

  • Gravidez — a pressĂŁo uterina sobre as veias pĂ©lvicas compromete o retorno venoso

  • Tabagismo — compromete a circulação perifĂ©rica e a cicatrização

  • Diabetes e hipertensĂŁo arterial — aumentam o risco de lesĂ”es vasculares

  • HistĂłrico familiar de doenças venosas

​

Como É Feito o Diagnóstico

O diagnĂłstico da Ășlcera venosa Ă© predominantemente clĂ­nico. O cirurgiĂŁo vascular avalia as caracterĂ­sticas da ferida, a distribuição das lesĂ”es cutĂąneas ao redor, os sintomas relatados e o histĂłrico do paciente.

O exame complementar fundamental é o Eco-Doppler venoso dos membros inferiores, que permite: avaliar o funcionamento das vålvulas venosas, identificar refluxo venoso e obstruçÔes e mapear as veias afetadas para planejar o tratamento

Em alguns casos, pode ser necessĂĄria biĂłpsia da lesĂŁo para descartar outras causas de feridas crĂŽnicas — como Ășlceras arteriais, neuropĂĄticas ou neoplĂĄsicas — que exigem abordagens diferentes. A avaliação individualizada pelo especialista Ă© indispensĂĄvel para o diagnĂłstico correto.

ultrassom, diagnĂłstico de ulcera venosa
Ultrassom: equipamento importante para o diagnĂłstico de Ășlcera venosa

OpçÔes de Tratamento

O tratamento da Ășlcera venosa envolve duas frentes complementares: o cuidado local com a ferida e o tratamento da causa de base (a insuficiĂȘncia venosa). Sem tratar a causa, a tendĂȘncia Ă© que a Ășlcera recidive mesmo apĂłs cicatrizar.


Terapia de CompressĂŁo

A compressĂŁo Ă© a base do tratamento conservador. O uso de meias de compressĂŁo elĂĄstica ou bandagens compressivas inelĂĄsticas reduz a pressĂŁo venosa, diminui o edema e estimula a cicatrização. É indicada na grande maioria dos casos e deve ser mantida de forma contĂ­nua conforme orientação mĂ©dica.


Curativos Especializados

O cuidado local com a Ășlcera envolve limpeza adequada da ferida e uso de coberturas especializadas, que mantĂȘm o ambiente Ășmido, absorvem o excesso de secreção e favorecem a cicatrização. O tipo de curativo mais adequado Ă© definido pelo profissional com base nas caracterĂ­sticas da lesĂŁo.

​

Tratamento das Veias Afetadas

Quando hĂĄ varizes ou refluxo venoso significativo alimentando a Ășlcera, o cirurgiĂŁo vascular pode indicar procedimentos para tratar as veias responsĂĄveis, como:

  • Escleroterapia — aplicação de substĂąncia esclerosante nas veias afetadas

  • Tratamento endovascular a laser ou radiofrequĂȘncia — tĂ©cnicas minimamente invasivas para obliteração das veias doentes

  • Cirurgia vascular

  • Antibioticoterapia: quando hĂĄ sinais de infecção na Ășlcera — como pus, odor forte, febre ou aumento da dor — o mĂ©dico pode indicar antibiĂłticos sistĂȘmicos para controlar o processo infeccioso antes de avançar com outras etapas do tratamento.


Cuidados, Prevenção e Estilo de Vida

AlĂ©m do tratamento mĂ©dico, alguns cuidados do dia a dia sĂŁo fundamentais para favorecer a cicatrização e reduzir o risco de novas Ășlceras:

  • Use as meias de compressĂŁo conforme a orientação do seu mĂ©dico — inclusive nos dias mais quentes

  • Eleve as pernas ao repouso, posicionando-as acima do nĂ­vel do coração sempre que possĂ­vel

  • Pratique atividade fĂ­sica regular, especialmente caminhada, que ativa a "bomba" muscular da panturrilha

  • Mantenha a pele hidratada na regiĂŁo das pernas para evitar ressecamento e novas lesĂ”es

  • Evite traumas na regiĂŁo — mesmo pequenos machucados podem evoluir para Ășlceras em pele com insuficiĂȘncia venosa

  • Pare de fumar — o tabagismo prejudica diretamente a cicatrização e a circulação perifĂ©rica

  • Controle o peso corporal — o excesso de peso agrava a pressĂŁo sobre as veias

  • Siga o acompanhamento mĂ©dico regular — a Ășlcera venosa exige monitoramento periĂłdico mesmo apĂłs a cicatrização

​


Quando Procurar um CirurgiĂŁo Vascular?

Alguns sinais devem motivar a busca por avaliação especializada sem demora: ferida na perna que nĂŁo cicatriza em duas semanas ou mais; manchas escuras, roxas ou marrons persistentes na regiĂŁo do tornozelo; pele endurecida, ressecada ou com coceira intensa nas pernas; inchaço recorrente nas pernas, especialmente ao final do dia; histĂłrico de varizes, trombose ou Ășlcera venosa anterior; ferida com sinais de infecção: vermelhidĂŁo intensa, pus, odor ou febre. Quanto mais cedo a avaliação for realizada, maiores as chances de cicatrização completa e menor o risco de complicaçÔes.

​



Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. A Ășlcera venosa tem cura?

A Ășlcera venosa pode cicatrizar com tratamento adequado. No entanto, se a causa de base — a insuficiĂȘncia venosa — nĂŁo for tratada, hĂĄ risco elevado de recidiva. O acompanhamento contĂ­nuo com cirurgiĂŁo vascular Ă© essencial para manter os resultados a longo prazo.

​

  1. Úlcera venosa Ă© a mesma coisa que Ășlcera varicosa?

Sim. Os dois termos se referem Ă  mesma condição. O nome "Ășlcera varicosa" remete Ă  associação frequente com as varizes, enquanto "Ășlcera venosa" Ă© o termo mais abrangente usado na literatura mĂ©dica atual.

​

  1. É possível fazer curativo em casa?

O curativo de uma Ășlcera venosa deve ser orientado pelo mĂ©dico ou por um profissional de saĂșde habilitado. O tipo de cobertura, a frequĂȘncia de troca e a limpeza adequada variam conforme as caracterĂ­sticas da ferida. Curativos incorretos podem retardar a cicatrização ou favorecer infecçÔes.

​

  1. Quanto tempo leva para uma Ășlcera venosa cicatrizar?

O tempo de cicatrização varia amplamente dependendo do tamanho da lesĂŁo, do tempo de evolução, das condiçÔes de saĂșde do paciente e da adesĂŁo ao tratamento. Algumas Ășlceras cicatrizam em semanas; outras, em meses. Por isso, o acompanhamento regular com o especialista Ă© indispensĂĄvel.

​

  1. Quem tem diabetes pode desenvolver Ășlcera venosa?

Sim. Pessoas com diabetes tĂȘm maior risco de desenvolver Ășlceras nas pernas, tanto de origem venosa quanto arterial ou neuropĂĄtica. O cirurgiĂŁo vascular avalia o tipo da lesĂŁo e indica o tratamento mais adequado para cada caso, considerando todas as condiçÔes de saĂșde do paciente.

​

 
 
 
bottom of page