Dr. Vinicius Garcia - Cirurgia Vascular e Endovascular
08 de outubro de 2026

Endolaser e Radiofrequência vs. Cirurgia Tradicional: Qual o Melhor Tratamento para Varizes?

Entenda por que a ablação térmica endovenosa (Laser e Radiofrequência) substituiu a cirurgia tradicional de safena como o tratamento de primeira linha para varizes.

Endolaser e Radiofrequência vs. Cirurgia Tradicional: Qual o Melhor Tratamento para Varizes?

Se você recebeu o diagnóstico de insuficiência da veia safena, é provável que já tenha se perguntado: “Devo fazer a cirurgia de ‘arrancar’ a veia ou usar as novas tecnologias a Laser?”

Durante muito tempo, a cirurgia tradicional (safenectomia ou stripping, onde a veia é cirurgicamente removida e faz muita pouca falta para o corpo) foi o único tratamento definitivo. Porém, a medicina vascular avançou a passos largos. Hoje, a ablação endovenosa térmica — representada pelo Endolaser (EVLA) e pela Radiofrequência (RFA) — é a preferência absoluta como tratamento de primeira linha pelas principais diretrizes mundiais (como NICE e SVS/AVF) [1, 2].

Mas por que essa mudança ocorreu? Abaixo, detalho o que a literatura científica mais recente conclui ao comparar essas técnicas.

O Que é a Ablação Endovenosa Térmica?

Diferente da cirurgia aberta que corta e puxa a veia doente para fora, a ablação térmica age de dentro para fora, sem a necessidade de cortes agressivos. Um cateter ultrafino (fibra óptica do laser ou radiofrequência) é inserido na veia guiado por ultrassom. A ponta desse cateter emite calor, que literalmente “sela” (fecha) a veia doente por dentro, inativando-a. O corpo então desvia naturalmente o fluxo de sangue para veias saudáveis.

Eficácia: O Laser Resolve o Problema?

A resposta é um absoluto “sim”. Estudos clínicos e ensaios randomizados demonstram que as taxas de fechamento do vaso (ausência de refluxo) são praticamente idênticas entre o Laser (EVLA), a Radiofrequência (RFA) e a cirurgia tradicional de safenectomia — todas atingindo altíssimo sucesso de aproximadamente 91% a 100% em 1 ano [1, 3]. Em longo prazo (2 a 3 anos), também não há diferença estatística significativa na taxa de recorrência entre a cirurgia e a tecnologia de cateteres [2].

A título de curiosidade, o ensaio clínico MAGNA (com 5 anos de acompanhamento) mostrou que a escleroterapia com Espuma — que é uma técnica ainda menos invasiva, útil para veias tortuosas — infelizmente possui uma taxa de recorrência muito maior em longo prazo quando comparada ao Endolaser, exigindo mais retratamentos ao longo dos anos [2, 3].

Mulher jovem e saudável sorrindo enquanto caminha em um parque, demonstrando a recuperação ágil e indolor do pós-operatório vascular minimamente invasivo

Por Que o Laser e a Radiofrequência Venceram a Cirurgia?

Se a eficácia de longo prazo é semelhante, por que as diretrizes médicas mudaram? O grande divisor de águas está nos riscos e no conforto pós-operatório (morbidade perioperatória).

1. Cirurgia Tradicional (Safenectomia/Stripping):

  • Riscos: Maior taxa global de complicações (58,8% vs. procedimentos ablativos térmicos). Apresenta maior índice de sangramentos, hematomas extensos, infecção de feridas operatórias e risco de lesão de nervos próximos à veia [1, 3, 5].
  • Recuperação: Geralmente exige um tempo de internação, recuperação e retorno ao trabalho significativamente mais longo.

2. Endolaser e Radiofrequência:

  • Vantagens: O fechamento da veia é equivalente à cirurgia, mas as complicações são mínimas. O risco de lesões em nervos é drasticamente menor.
  • Recuperação: Pode ser realizado até mesmo em regime ambulatorial (day clinic). A recuperação é muito mais rápida e o paciente sai caminhando no mesmo dia [1, 3, 5].

Em relação ao medo de trombose, as metanálises recentes em mais de 50 estudos confirmam a segurança absoluta dessas técnicas: o risco de Trombose Venosa Profunda é ínfimo (apenas 0,3%) [1, 4].

A Cirurgia Convencional Deixou de Existir?

Não. A cirurgia de stripping ainda é uma alternativa viável e permanece aplicável em casos muito específicos. Ela costuma ser reservada principalmente para pacientes onde a anatomia não permite a progressão do cateter de laser ou radiofrequência (como em safenas excessivamente tortuosas, logo abaixo da pele, ou com calibres demasiadamente alterados) [3, 4]. No entanto, para a imensa maioria dos casos, a tecnologia de ablação térmica é a grande recomendação atual, por garantir os mesmos resultados definitivos com muito mais segurança e conforto.

No fim, a decisão final entre técnica térmica (Laser/Radiofrequência) e cirurgia convencional requer uma avaliação minuciosa por Ultrassom Doppler e o julgamento criterioso do seu Cirurgião Vascular.

Referências Bibliográficas

[1] Rochon PJ, Reghunathan A, Kapoor BS, et al. (2023). ACR Appropriateness Criteria® Lower Extremity Chronic Venous Disease. Journal of the American College of Radiology : JACR, 20(11S):S481-S500.

[2] Whing J, Nandhra S, Nesbitt C, et al. (2021). Interventions for great saphenous vein incompetence. Cochrane Database of Systematic Reviews.

[3] Sayarer C, Arayici ME, Gencpinar T, Bayrak S. (2026). Effectiveness of endovenous ablation techniques and surgery for great saphenous vein incompetence: a comprehensive meta-analysis of randomized controlled trials. Scientific Reports, 16(1):11424.

[4] Gasior SA, O’Donnell JPM, Aherne TM, et al. (2022). Outcomes of Saphenous Vein Intervention in the Management of Superficial Venous Incompetence: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Annals of Surgery, 275(2):e324-e333.

[5] Chen H, Qiu W, Li W, et al. (2026). Endovenous thermal ablation combined with foam sclerotherapy is a safe and effective method for the treatment of lower extremity varicose veins: a multicenter retrospective analysis. Scientific Reports, 16(1):25689.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. A cirurgia a laser corta a perna?

Não. O tratamento com Endolaser ou Radiofrequência é minimamente invasivo. A fibra óptica é inserida na veia doente por meio de uma pequena punção com agulha, sem a necessidade de grandes incisões ou bisturi, não deixando cicatrizes grosseiras.

  1. Qual é melhor: Laser (EVLA) ou Radiofrequência (RFA)?

Ambos possuem sucesso anatômico e eficácia essencialmente equivalentes. Tanto o Endolaser quanto a Radiofrequência apresentam resultados excelentes para a oclusão permanente do vaso, sendo ferramentas fantásticas e superiores à cirurgia tradicional no que diz respeito ao conforto e à rápida recuperação no pós-operatório.

  1. O tratamento com Espuma substitui o Laser e a Cirurgia?

Apenas em casos selecionados. Embora a Espuma seja a menos invasiva de todas as técnicas (feita inteiramente no consultório), a literatura prova que sua eficácia em fechar veias grandes (como a safena) em longo prazo é muito inferior ao Laser e à Cirurgia, exigindo mais sessões de retoque.